Brasília, quarta-feira, 24 de setembro de 2008.
POR ELISABETH MOTA
L. De 11 anos, roubou o cartão de crédito de uma vizinha. Gastou R$ 2 mil em uma papelaria e convidou suas coleguinhas para lanchar no Mcdonalds onde foram mais R$ 560. São apenas dois delitos, dos muitos, que fazem Adriana, 38, sofrer. “Antes, eram pequenas coisas, ela pegava uma roupa sem pedir, tirava uns trocadinhos do meu bolso, e outras coisas do tipo. Agora tomou uma magnitude no qual eu não esperava. Estou fazendo tudo que posso para recuperá-la, mas sinceramente, estou perdendo as esperanças. Toda semana converso com ela não há nem uma expressão no rosto dela, ela não chora e aparentemente não se arrepende e isso me assusta. Ela sempre promete que não irá repetir esses furtos. Passa uma ou duas semanas sem fazê-los, mas torna a fazê-los. Agora estou fazendo acompanhamento psicológico, no Programa de Atenção Integral ao Adolescente – PRAIA em Taguatinga, mas até agora não vi muitos resultados”. L. faz acompanhamento psicológico junto com seus pais. Além das reuniões, L. faz uso de medicamentos para controlar a ansiedade e depressão.
Iolene, 45, passa pelos mesmos problemas, sua filha R., 10, vem prejudicando toda a família com os seus delitos. “Realmente não sei mais o que fazer, tem duas filhas mais velhas, E. 25 e S. de 17, que não me deram nem um trabalho quanto essa esta me dando, sempre que algo desaparece lá em casa, meu filho M., 7, já sai falando que foi a ladra da R. quem pegou. O clima em casa está insustentável, às vezes tenho vontade de entregar a minha filha para um juizado qualquer ou manda para o pai, sei que não posso desistir da minha filha, mas já estou cansada de tudo isso.”
R. começou também pegando pequenas coisas, roupas, dinheiro, objetos irrelevantes tipo: colares e brincos das irmãs e materiais de escola do irmão. Como R. não recebia grandes punições da família, os delitos foram se agravando.
Chegou ao um ponto critico de prejudicar toda a família.
“Lembro que minha irmã E. acordou-me já tarde da noite, muito nervosa, acusando eu e minha irmã R. de ter pegado o dinheiro da minha mãe, eram R$400 que minha mãe estava economizando para comprar um computador lá para casa. Fiquei muito chateada, puxa como minha mãe e minha irmã poderiam pensar que nós tivéssemos pegado tal dinheiro, sabíamos qual era a finalidade do dinheiro e era uma coisa que estávamos esperando com ansiedade. Mesmo chateada, procurei em todos os lugares esse dinheiro e nada, pensamos em todas as possibilidades. Tempos depois descobrimos que havia sido R. quem tinha pegado para mim foi um choque. Minha irmãzinha assistiu o desespero de minha mãe e minha irmã e não mencionou nada, até hoje ela nunca falou nada a ninguém de como gastou tal quantia.” Diz S.
Foram vários os delitos de R.. Certa vez R. deixou sua mãe em situação bem complicada, ao pegar todo o dinheiro, R$ 350 que estava separado para o pagamento do aluguel. Por diversas vezes, pegou dinheiro nas bolsas de suas irmãs, sempre quantias altas, R$100, R$90, R$200. E agora pegando as pequenas economias do irmão M., 7.
Suas irmãs sempre conversam com R., sobre seus delitos. Somente nessas horas, ela admitiu ter pegado, e relata que gastou o dinheiro com as amigas da escola com coisas supérfluas, mas não sabe explicar o porquê de ter pegado. Ela tem a consciência de que está prejudicando a família, porém mesmo assim continua com os delitos. Entra em crise de chorou, promete não cometer, mas sempre volta a fazê-los.
R., não faz acompanhamento psicológico, tratamentos nem o uso de medicamentos.
Programa de Atenção Integral ao Adolescente – PRAIA
Criado em 1991 pela Secretaria de Estado de Saúde do DF, o PRAIA engloba um conjunto de ações com o propósito de atender a criança e o adolescente numa visão biopsicossocial. Ele tem como objetivo primordial a promoção da saúde das crianças, adolescentes e suas famílias, através do acompanhamento sistemático destes indivíduos, prevenção de agravos, diagnóstico precoce, tratamento de patologias e atenção às suas características psicossociais, visando, portanto, a melhoria da qualidade de vida.
O PRAIA deixa bem claro que o tratamento psicológico deve ser feito com a família e não só com a criança em tratamento.
Adolescente se caracteriza, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), de 10 a 19 anos de idade. É neste período que ocorrem importantes transformações físicas, emocionais e sociais, provocando mudanças importantes nas relações do adolescente com sua família e amigos e ainda na maneira como ele se percebe como ser humano. No Distrito Federal, cerca de 20% da população é composta por adolescentes, confirmando a importância de políticas públicas específicas a este grupo populacional.
O PRAIA oferece além do tratamento com o adolescente um acompanhamento com a família do mesmo, promovendo reuniões com grupo de pais para que os mesmos compartilhem suas experiências e resultados.
É disponibilizado ao adolescente e aos pais, tratamentos com psicoterapia, assistentes sociais, psicólogos, enfermeiros, médicos, cirurgiões dentistas, consultas ginecológicas, orientações planejamento familiar e acompanhamento de adolescentes gestantes.
O PRAIA funciona de segunda a sexta, as reuniões e os acompanhamentos acontecem em dias da semana específicos. Quem quiser entrar em contato pode ligar para 3353-8314 falar com Denise ou Marta.
POR ELISABETH MOTA
L. De 11 anos, roubou o cartão de crédito de uma vizinha. Gastou R$ 2 mil em uma papelaria e convidou suas coleguinhas para lanchar no Mcdonalds onde foram mais R$ 560. São apenas dois delitos, dos muitos, que fazem Adriana, 38, sofrer. “Antes, eram pequenas coisas, ela pegava uma roupa sem pedir, tirava uns trocadinhos do meu bolso, e outras coisas do tipo. Agora tomou uma magnitude no qual eu não esperava. Estou fazendo tudo que posso para recuperá-la, mas sinceramente, estou perdendo as esperanças. Toda semana converso com ela não há nem uma expressão no rosto dela, ela não chora e aparentemente não se arrepende e isso me assusta. Ela sempre promete que não irá repetir esses furtos. Passa uma ou duas semanas sem fazê-los, mas torna a fazê-los. Agora estou fazendo acompanhamento psicológico, no Programa de Atenção Integral ao Adolescente – PRAIA em Taguatinga, mas até agora não vi muitos resultados”. L. faz acompanhamento psicológico junto com seus pais. Além das reuniões, L. faz uso de medicamentos para controlar a ansiedade e depressão.
Iolene, 45, passa pelos mesmos problemas, sua filha R., 10, vem prejudicando toda a família com os seus delitos. “Realmente não sei mais o que fazer, tem duas filhas mais velhas, E. 25 e S. de 17, que não me deram nem um trabalho quanto essa esta me dando, sempre que algo desaparece lá em casa, meu filho M., 7, já sai falando que foi a ladra da R. quem pegou. O clima em casa está insustentável, às vezes tenho vontade de entregar a minha filha para um juizado qualquer ou manda para o pai, sei que não posso desistir da minha filha, mas já estou cansada de tudo isso.”
R. começou também pegando pequenas coisas, roupas, dinheiro, objetos irrelevantes tipo: colares e brincos das irmãs e materiais de escola do irmão. Como R. não recebia grandes punições da família, os delitos foram se agravando.
Chegou ao um ponto critico de prejudicar toda a família.
“Lembro que minha irmã E. acordou-me já tarde da noite, muito nervosa, acusando eu e minha irmã R. de ter pegado o dinheiro da minha mãe, eram R$400 que minha mãe estava economizando para comprar um computador lá para casa. Fiquei muito chateada, puxa como minha mãe e minha irmã poderiam pensar que nós tivéssemos pegado tal dinheiro, sabíamos qual era a finalidade do dinheiro e era uma coisa que estávamos esperando com ansiedade. Mesmo chateada, procurei em todos os lugares esse dinheiro e nada, pensamos em todas as possibilidades. Tempos depois descobrimos que havia sido R. quem tinha pegado para mim foi um choque. Minha irmãzinha assistiu o desespero de minha mãe e minha irmã e não mencionou nada, até hoje ela nunca falou nada a ninguém de como gastou tal quantia.” Diz S.
Foram vários os delitos de R.. Certa vez R. deixou sua mãe em situação bem complicada, ao pegar todo o dinheiro, R$ 350 que estava separado para o pagamento do aluguel. Por diversas vezes, pegou dinheiro nas bolsas de suas irmãs, sempre quantias altas, R$100, R$90, R$200. E agora pegando as pequenas economias do irmão M., 7.
Suas irmãs sempre conversam com R., sobre seus delitos. Somente nessas horas, ela admitiu ter pegado, e relata que gastou o dinheiro com as amigas da escola com coisas supérfluas, mas não sabe explicar o porquê de ter pegado. Ela tem a consciência de que está prejudicando a família, porém mesmo assim continua com os delitos. Entra em crise de chorou, promete não cometer, mas sempre volta a fazê-los.
R., não faz acompanhamento psicológico, tratamentos nem o uso de medicamentos.
Programa de Atenção Integral ao Adolescente – PRAIA
Criado em 1991 pela Secretaria de Estado de Saúde do DF, o PRAIA engloba um conjunto de ações com o propósito de atender a criança e o adolescente numa visão biopsicossocial. Ele tem como objetivo primordial a promoção da saúde das crianças, adolescentes e suas famílias, através do acompanhamento sistemático destes indivíduos, prevenção de agravos, diagnóstico precoce, tratamento de patologias e atenção às suas características psicossociais, visando, portanto, a melhoria da qualidade de vida.
O PRAIA deixa bem claro que o tratamento psicológico deve ser feito com a família e não só com a criança em tratamento.
Adolescente se caracteriza, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), de 10 a 19 anos de idade. É neste período que ocorrem importantes transformações físicas, emocionais e sociais, provocando mudanças importantes nas relações do adolescente com sua família e amigos e ainda na maneira como ele se percebe como ser humano. No Distrito Federal, cerca de 20% da população é composta por adolescentes, confirmando a importância de políticas públicas específicas a este grupo populacional.
O PRAIA oferece além do tratamento com o adolescente um acompanhamento com a família do mesmo, promovendo reuniões com grupo de pais para que os mesmos compartilhem suas experiências e resultados.
É disponibilizado ao adolescente e aos pais, tratamentos com psicoterapia, assistentes sociais, psicólogos, enfermeiros, médicos, cirurgiões dentistas, consultas ginecológicas, orientações planejamento familiar e acompanhamento de adolescentes gestantes.
O PRAIA funciona de segunda a sexta, as reuniões e os acompanhamentos acontecem em dias da semana específicos. Quem quiser entrar em contato pode ligar para 3353-8314 falar com Denise ou Marta.
Fico pensando o quanto é forte na nossa cultura a questão da Punição. Me refiro a seguinte frase "como R. não recebia grandes punições da família, os delitos foram se agravando". Estabelecemos linearmente a relação punição-ação comportamental. Pra ser sincera, não acredito que resolveria muito aquestão. Se R. apanhasse por ter cometido "delitos" seu relacionamento familiar certamente iria de mal a pior, e talvez o problema poderia persistir.
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