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terça-feira, 2 de junho de 2009

RELATÓRIO ACADÊMICO-TEORIA HIPODÉRMICA

V de VINGANÇA

Por Elisabeth Mota
Rosane Tomaz
Raquel C.

O relatório analisa o Filme “V de Vingança”, inspirado nos quadrinhos de Alan Moore, e traça um paralelo entre os acontecimentos do filme e a Teoria Hipodérmica. Um homem mascarado tenta fazer com que os cidadãos da Inglaterra acordem, enxerguem e se mobilizem contra o autoritarismo e o controle exacerbado do estado sobre a população.
A manipulação da massa[1] é o fator mais facilmente observado, além de recriar, com traços mais marcantes, personagens que nos quadrinhos não participavam tão ativamente do contexto.
Será desenvolvida uma comparação clara e precisa do contexto do filme com a Teoria Hipodérmica.
A Teoria Hipodérmica desenvolvida entre as duas grandes guerras é um modelo de Teoria da Comunicação. Segundo ela, uma mensagem lançada pela mídia é imediatamente aceita entre todos os receptores em igual proporção.
Segundo estudiosos dessa Teoria, massa seria um conjunto de indivíduos isolados de suas referências sociais. Uma vez perdido na massa, a única referência que o indivíduo possui da realidade são as mensagens dos meios de comunicação. Dessa forma, a mensagem não encontra resistências por parte do indivíduo, que as assimila e não as questiona.
O objetivo do presente relatório é tocar em uma das feridas mais abertas da política contemporânea: a emancipação do ser humano. É trazer à luz que apesar de uma pseudo democracia, ainda vivemos anestesiados, em parte das vezes, por controles externos, e as idéias, sempre à “prova de balas”, mas comumente afogadas pelas águas do nosso laissez-faire.

Um novo governo, representado na pessoa do Chanceler Adam Sutler, é instaurado de forma escusa na Inglaterra, que assim como o de Adolf Hitler, na Alemanha, usou os meios de comunicação como recrutador psicológico. Semelhante ao que ocorreu no domínio Hitler, Sutler surge como solução a uma sociedade deteriorada, com sonhos e valores soterrados por ele mesmo quando se uniu a um mega controlador da indústria farmacêutica.
As minorias étnicas e os marginalizados mais uma vez foram utilizadas como cobaias para experimentos biológicos e torturas degradantes. Uma prisão, a estrutura metroviária e uma escola foram utilizadas para a efetiva aplicabilidade das mutações desenvolvidas pelo governo e apoiadas pela igreja na pessoa do Padre pedófilo. O Chanceler surge com a cura para o medo implantado nas pessoas através das doenças e das mazelas sociais induzindo a população a coroar Sutler seu governante. A massa trocou sua liberdade pela falsa personificação da salvação.
A manipulação e o totalitarismo se tornam mais latentes no toque de recolher quando Evey é interceptada na rua pelos “homens dedo” - os funcionários do estado, a captação das conversas do interior das casas, a proibição de posse de obras de arte, além de controlar o que as pessoas podiam comer, sendo que o acesso a alguns alimentos era privilégio do governo. O filme retrata um governo que detinha o poder de todos os segmentos da sociedade, inclusive dos programas de televisão que noticiavam apenas e tão somente as mentiras usadas para manipular a verdade.
A mídia, no filme, é a principal arma de massificação, ela é utilizada não só para exaltar os benefícios que o governo proporciona ou modelar os seus erros, mas também para concentrar a população no senso de obediência, deixando-se controlar pelo governo. Nos bares, nas casas, nos asilos, embora mostre as pessoas juntas, o personagem principal da cena é o aparelho de televisão que transmite aquilo que o estado quer que as pessoas saibam. Observa-se uma apatia contundente, ninguém questiona, nem conversa sobre o que vê e ouve. O isolamento, a quebra dos vínculos familiares, e o enfraquecimento religioso e social contribuíram para que o governo se tornasse mais forte e manipulador na vida da sociedade.
O controle do estado é novamente observado quando surge V, o personagem mascarado que explode o prédio da justiça e toma um canal de TV para mostrar e plantar a semente da idéia ativista na população, porém o governo divulga posteriormente a possível morte daquele que seria um terrorista e que prometeu no dia 5 de novembro, a exemplo do que tentou fazer o mártir Fawkes em 1605, explodir o Parlamento Britânico. Mais uma vez a manipulação da verdade predomina. V não é um terrorista e sim um anarquista, um homem que foi usado como cobaia do governo e torturado no passado. Ele reascende as idéias e o rosto, através da máscara, de Guy Fawkes que morreu enforcado em praça pública.
O tema central da trama é a saga do herói contra a repressão do estado totalitário, contudo, além da vingança pessoal de V, há uma vida resgatada da apatia na personagem de Evey. Observa-se, no começo, a diferença entre os personagens na forma de buscar os objetivos, V leva a termo a frase célebre de Maquiavel - “Os fins justificam os meios”, exterminar as personificações do mal (matar) era o seu forte, já Evey era uma crítica do sistema, porém não concordava com os métodos de V para libertar a massa do domínio governamental. O mascarado não poupou nem aquela que amava, percebendo que a clausura, a tortura e a imposição nas mesmas condições pela qual ele e outras pessoas passaram poderiam libertá-la e trazê-la de volta à vida real e fazendo-a adquirir a coragem e a capacidade para ações que eram impossíveis na Evey do início da obra.
Por fim, quando os cabeças do partido sucumbem ao paladino, o sistema também se extingue, pois a vontade do nacional, ainda que imposta, reflete o Chanceler, e com a morte dele não há mais a quem seguir, esse fato é representado quando a população, munida de novos ideais e tomadas pelo sentimento de V sai às ruas vestidas e mascaradas como o herói e as Forças Armadas solicitam autorização para agir e ninguém responde. Uma representação de que as idéias jamais morrem como disse V, é que entre a população desmascarada se encontram também aqueles que morreram pelo sistema e vítimas dele. Para não mostrar a quebra do regime como uma imposição, V deixa a concretização dos ideais nas mãos de Evey que, dominada pela paixão, pelo homem e pelo ideal, convence Finch, detetive de polícia questionador do sistema, que o melhor a fazer é explodir o Parlamento como símbolo de libertação. Com a explosão do Parlamento, além das bombas, o céu é iluminado por fogos de artifício, talvez como uma concretização do sonho de Fawkes. A obra termina com uma indagação, se a população está ou não pronta para viver liberta de qualquer tipo de controle.
Além dos quadrinhos, onde não se nota tamanha importância nos personagens do Chanceler e de Evey como no filme, Alan Moore ainda criou o personagem John Constantine, em 1986 concebeu Watchmen, uma maxi-série em 12 edições, que constituiu uma das mais conhecidas obras dos quadrinhos no mundo. Essa série consagrou Moore um dos melhores argumentistas da atualidade.
Nos mais de 120 min. de filme o expectador é levado a diferentes searas de sentimentos. Da apatia à participação, da emoção à razão, os irmãos Wachoswski, roteiristas de “V de Vingança”, produzido em 2005 e dirigido por James Mc Teigue, conseguem prender a atenção do público de uma forma diferente da comum, sem apelos sentimentalistas, já que o fim de V e Evey não é o enfadonho - felizes para sempre, sem apelos religiosos, já que o padre morre pelas mãos de V, e fazem do filme um entretenimento que induz o expectador ao raciocínio.
Com um elenco brilhante como Hugo Weaving (Sr. Smith da Trilogia Matrix) no papel de V, que apesar de mascarado consegue transparecer suas emoções e dores, Natalie Portman vivendo Evey, John Hurt dando vida ao escuso Chanceler, Stephen Fry brilhantemente interpretando o apresentador fracassado e homossexual velado Dietrich, Clive Asborn como Guy Fawkes, entre outros, o filme transporta a mente para os questionamentos atuais e necessários.
Apesar de “V For Vendetta” não ser um filme de ação, há brilhantes batalhas travadas, mas no campo das idéias, dos pensamentos. V, apesar de sua alma e corpo feridos, seduz pelas palavras, pela inteligência e não pela força.

Podem-se comparar os governos da atualidade com os sistemas descritos no filme e nos quadrinhos de V de Vingança. O próprio autor dos quadrinhos, Alan Moore, faz essa comparativa ao mencionar o governo de Margaret Thatcher, que em 1988 entra em seu terceiro mandato, visando o poder absoluto. Criação e disseminação de doenças, tentativa de erradicação dos homossexuais, vigilância 24h para a proteção da população dentre outros fatores, são formas de controle do governo sobre a massa. O filme retrata “V” como um revolucionário que não se deixou contaminar pela massificação e quer passar isso aos outros, fazendo a máscara do governo cair e levando a população a lutar pela sua soberania.
A carta cidadã de 1988, estabelece em seu Art. 1º, Parágrafo Único. “Todo poder emana do povo”. Sendo assim, elegemos um representante, porém não lhes outorgamos nenhuma procuração para espoliarem, aviltarem e saquearem em nosso nome e mentirem insolente, descarada e impunemente para toda a nação.
O governo utiliza a teoria hipodérmica, estimulando a massa a aceitar seus mandos e desmandos apaticamente. Porém, faz-se necessário a utilização da teoria matemática para estabelecer um canal de comunicação com a população, um diálogo, a fim de se evitar as revoltas e protestos, exemplificados como os manifestantes contra a Ditadura, os caras pintadas contra o Collor e vários outros.
Enfim, isso nos leva a pensar se não vivemos num circulo vicioso. Onde derrubamos um governo totalitário para levantarmos outro, por não estarmos preparados.

[1] * Massa é tudo que não se avalia a si próprio - nem do bem nem do mal - mediante razões especiais, mas que se sente “como toda a gente” e, todavia, não se aflige por isso, antes se sente à vontade ao reconhecer-se idêntico aos outros (Ortega y Gasset, 1930. p.8).

3 comentários:

  1. Nossa vc é muito boa!!SE faz jornalismo nao terá problemas em entrar no mercado de trabalho!1Você está de parabéns!

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  2. ESSE RELATORIO Q VC FEZ, DEU P MIM FAZER MEU TRABALHO TODO DA FACULDADE!!!
    VLW

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  3. Obrigada pelos comentários, fico feliz em ajudar.

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" Helen Keller "

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Tenho o desejo de realizar uma tarefa importante na vida. Mas meu primeiro dever está em realizar humildes coisas como se fossem grandes e nobres.